Boas vindas a esse blog.

Fazia um tempo que eu tava querendo repaginar minha “persona online”, e ontem à noite o @amobrejas me deu o empurrãozinho que faltava: um convite para o Bluesky (é @arthr.me por lá).

Eu passei a maior parte do ano passado lutando com o fim do Twitter, o site que pela maior parte da década passada se tornou minha principal presença online. Deixar algo assim para trás é difícil. Eu decidi há um tempo já que eu devia voltar para o meu blog (esse lindo caos em que você está agora), então nessa última noite eu exclui a maioria dos meus posts antigos. Eu queria começar de novo. Os posts que ainda estão aqui foram remarcados com novas tags.

De resto? Provavelmente vai ser deixado para trás, se já não foi. Flickr, Last.FM, Instagram… Eu decidi que eu estou aqui agora. Esse blog é meu, o domínio é meu, e é aqui que a maior parte da minha dedicação e atenção deve estar. Eu quero centralizar ele, então eu conectei serviços que eu uso diariamente, como meu leitor RSS e o meu Instapaper, mas eu não quero encher ele de bobagem. Então, para efemeridades, eu vou ficar com meu bsky também (se você quiser acompanhar esse tipo de coisa, pode sempre me chamar, eu estou gostando de conhecer gente nova lá).

Você provavelmente vai me encontrar no GitHub, que eu uso para trabalho, e no Letterboxd, que eu guardo os filmes que eu quero assistir e organizo algumas ideias sobre filmes específicos. Mas se você quer entrar em contato comigo, esse é o melhor lugar. A caixinha de perguntas está aberta!

Ok, com essa parte da “presença online” acertada, o que eu vou fazer nesse lugar? Meu plano é fazer esse blog se tornar meu jardim digital: um lugar onde eu deixo as minhas ideias para crescer. Você pode ler ele cronologicamente, como um blog; ou usando minhas tags, onde eu organizo as coisas conforme eu penso nelas:

  • efêmera são observações curtas, pequenos lampejos da minha vida (também guardados em relatos) ou outros devaneios. Você vai encontrar mais desse tipo de post no meu bksy, mas aqueles que eu quero realmente guardar vão ficar por aqui, e talvez crescer e se transformar em outras coisas.
  • textos são as ideias mais bem formadas, os “posts de blog” no sentido original. Eu não faço muitos desses mais, mas eu espero que um dia eu volte a escrevê-los com mais frequência.
  • anotações são… bem, exatamente isso. Anotações nos filmes que eu assisto, do que eu estou lendo, ou de links que visitei. São pequenos recortes de coisas que me deixam curiosos.
  • referências são minhas inspirações, onde eu coloco aquilo que me ajudam naquilo que eu estou criando no momento. São quadros, músicas, citações de livros e tal.

Você também pode viajar pelo blog em assuntos mais “objetivos”, como filmes, jogos, músicas, links, etc. Eu quero me educar a manter esse jardim pessoal bem organizado, até mesmo para me ajudar mais pra frente, já que um dos principais objetivos disso é justamente voltar a escrever mais.

meta

The vague but ominous disruption promised by artificial intelligence fogs this process, justifying where it needs to justify and serving as a sort of jeering threat everywhere else; that this AI doesn’t yet really do anything well, and has the unfortunate habit of eating its own excrement until it goes insane, has not really damped this cohort’s enthusiasm for it. Which fits, because that appeal is more ideological and aspirational than practical. What all of these businesses—creative industries, social media platforms, online commerce—have in common is that they need people. They need people to make them, and they need other people to pay attention to them. The super-class that sits atop all this, gloating, does not like that very much.

— They Don’t Want Us And We Don’t Need Them | Defector

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A sumaúma que comoveu Belém →

Helena Palmquist, SUMAÚMA:

Nas redes sociais, uma moradora definiu: “De madrugada, generosa, não feriu ninguém. A gente chora”. A câmera de vigilância registrou o momento, numa sequência que foi transmitida várias vezes pela televisão e pelas redes sociais. Pelo amanhecer a notícia e a comoção já se espalhavam pela cidade e moradores, primeiro os de perto, depois os de longe, não paravam de chegar, olhando para os restos da árvore, entre tristes e assustados, como se estivessem passando pelo velório de alguém famoso e querido. E estavam.

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Meu livro favorito Ă© “A Visita Cruel do Tempo”. Em um dos capĂ­tulos acompanhamos um homem, Ted Hollander, procurando a sobrinha, Sasha. Sasha Ă© o mais prĂłximo que o livro tem de uma protagonista. Cada capĂ­tulo do livro gira em torno de uma pessoa que pode ou nĂŁo ter conhecido ela. As vezes, se passa muito tempo antes dela nascer, com pessoas que vĂŁo conhece-la muito tempo depois.

Nesse capĂ­tulo, Ted encontra Sasha, que fugiu da casa da mĂŁe hĂĄ alguns anos. Ele encontra ela em NĂĄpoles. Quando eles se encontram, ela o leva pro quarto dela, e ele pergunta o que ela tem para querer viver num lugar tĂŁo ruim.

A Sasha espera o momento exato em que o sol passa pelo pequeno buraco na parede que ela chama de janela, em que ele preenche exatamente aquele espacinho e ilumina seu rosto. “Ele Ă© meu”, ela fala pro tio, que observa como, realmente, quando o sol entra pela fresta, ele parece ser todo dela.

Muitos anos depois de ler esse livro eu me peguei tomando meu Ășltimo cafĂ© do dia na minha sacada. É um ritualzinho que eu adoro fazer, mas que foi se fazendo tĂŁo lentamente que eu nem percebi que era um. Quando eu percebi que eu gosto de ficar na sacada nos Ășltimos momentos de sol, eu percebi que minha casa tinha virado meu lar, e eu lembrei daquele trecho do livro, que finalmente fez sentido. Aquele pedacinho de cĂ©u, todo da Sasha. Esse Ă© o meu, esse Ă© o da minha casa.

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